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Luciano Passos, como cancioneiro do sangue e da volúpia, destila-se, ele mesmo, visionário do húmus do tempo, em passagens secretas pela alquimia do amor, do estrebuchar-se em sinos da dúvida, em recolher-se, com perfeição, ao desespero das cicatrizes. A poesia não é fingida na lavra de Luciano. Ela é toda íngua, ferimento que viaja todas as profundezas imemoriais dos encontros, todos os interlúdios que existem entre a relva e o pelo amado, entre a lua e o destino da solidão. A poesia do poeta Luciano Passos é perigosa porque se transforma num cálice cheio de cumplicidade para que com os olhos de meteorito, enxerga a pequenez do ser e a grandeza do nunca e, ainda assim, resolve deitar-se num alpendre de palavras e aprender a ruminar as urtigas do amor. Luciano surpreende. É o poeta dele mesmo. Que nos conduz por um labirinto de uvas, sementes secas, oásis, vômitos, menstruação das fagulhas, como deve ser um poeta maior e muito melhor do que estes pobres imberbes que invadem, como cíclopes atacados de súbito astigmatismo, nossa mídia míope. Em Luciano Passos, me parece, a poesia volta a ser o que precisa ser: a palavra, a metáfora docemente assassina, o pecado. Toda a explosão. Ler Luciano é explodir. É vencer o buraco negro da pobreza poética que vagabundeia nas escrivaninhas dos áulicos da fama. Ler Luciano é sorver o leite envenenado da paixão. E isso, francamente, me basta. Fernando Coelho é poeta e jornalista |